Marchetaria: história e prática

Criada na Mesopotâmia, por volta de 3.000 A.C (foi encontrada uma bacia de pedra calcária feita com retalhos), a marchetaria é a arte de encaixar lâminas ou pedaços de madeira das mais variadas cores e texturas, que juntas formam um quadro ou projeto. De acordo com a técnica utilizada pode-se construir objetos tridimensionais, esculturas, móveis, utilitários e entre outros.

A técnica difundiu-se pelo mundo, espalhando-se pelo Oriente e chegando à Europa pelas mãos dos Italianos, que após a queda do Império Romano quase se extinguiu.

Nos séculos XIV e XV foram criadas escolas de marchetaria na cidade de Florença e Toscana. A partir dos séculos XVII e XVIII, iniciou-se por toda Europa a preocupação dos artesões em melhorar seus métodos para a fabricação dessa refinada arte. Nesse período, deu-se início a projetos mais delicados e complexos.

A marchetaria está passando por uma fase de revitalização, com uma valorização e uma procura crescente do público por móveis criativos ou restaurados, com o emprego de motivos antigos ou ainda do estilo retrô. Além disso, o acesso a itens de decoração foi ampliado a um número maior de pessoas, e já não são caracterizados única e exclusivamente como artigos de luxo.

Técnicas 

Chamada de Tarsia Certosina, a primeira técnica utilizada na marchetaria constitui no recorte de elementos do material a ser utilizado (pedra, madeira, metal e etc.) e a posterior incrustação nas cavidades abertas nas superfícies maciças com o auxílio de formões ou ferramentas similares, utilizando cola para a sua fixação. Logo depois, foram criadas muitas outras técnicas, as principais utilizadas atualmente são:

– Tarsia a Toppo ou Marquetery a Bloc: marchetaria maciça, utilizada na fabricação de utilitários, bijuteria, filetes decorativos, esculturas, entre outros.

– Tarsia Geométrica: recorte a partir de formas geométricas para o revestimento de móveis, lambris, caixas, painéis internos, mesas, cadeiras, entre outros.

– Marqueterie de Paille: marchetaria de palha (folhas de plantas desidratadas). Mesmas aplicações da Tarsia Geométrica.

– Tarsia a Incastro ou Technique Boulle: recorte simultâneo das partes a serem montadas.

– Procéde Classique ou Element par Element: recorte separado das partes a serem montadas e embutidas.

Ferramentas 

Embora o trabalho não seja nada simples, a marchetaria conta com técnicas que não exigem muitas ferramentas, sendo o principal instrumento o formão, que faz cortes precisos e limpos.

Além disso, utiliza-se também o graminho para colar tiras de madeira, régua metálica, compasso, martelo, lixa, serrote, sargento e máquinas como desengrosso e tupia.

Cola

A cola é superimportante na marchetaria, já que não são utilizados pregos. Dessa maneira é necessário que haja a colagem em algum momento do trabalho.

A cola garante que as peças fiquem firmes e dê a resistência necessária para o projeto. Na marchetaria é usada, principalmente, a cola tradicional para marcenaria, mas algumas técnicas podem exigir outros tipos de cola.

A cola pode ser mantida quente durante o trabalho e a técnica mais usada para conservar a temperatura é o banho-maria. Em sua aplicação, deve-se utilizar um pincel grosso ou espátula.

Madeiras

Para que os objetos em marchetaria fiquem coloridos é necessário utilizar vários tipos de lâminas de madeira, que dão as cores com efeitos e matizes. Porém, muitos tipos de marchetaria utilizam as cores reais das madeiras, podendo ser mais claras ou mais escuras, as mais comuns são: Teka, Laurel Vermelho, Pau Ferro, Imbuia, Goiabão, Jacarandá e Pau Roxo. Além disso, há possibilidade dos filetes serem tingidos, isso dependerá do tipo do objeto que será criado.

O que achou do trabalho de marchetaria? Na Martelaria, que é um espaço em Sorocaba de ferramentas e máquinas compartilhadas, é possível criar projetos utilizando as diversas técnicas desse trabalho.

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